o céu escancara
o sol que maltrata
a terra rachada
de um povo doído.
mas de repente e do nada
a boca sofrida
solta o riso de alivio,
já que a nuvem querida
vem dar sua graça,
vem fazendo barulho
dançando com a garça.
e o brilho das águas,
acarinha e deslisa
o rosto dourado
do moço bonito
tão triste o maledito
de sorriso encantado.
e depois de todo o dia
o trabalho bendito
faz o vale arrepiar
e bem longe escutar
Lindú, Coroné e Cobrinha
cantando as águas do céu
que fazem o sertão vira mar.